A Copa Rio foi criada após o Brasil perder a Copa do Mundo de 1950, como forma de melhorar a auto-estima da população brasileira, cujo estado era de desânimo e aproveitar o sucesso da Copa realizada no Brasil, que havia sido um enorme sucesso de midia e de público, só vindo a perder o posto de Copa com maior média de público da história, em 1994 .
As Copas Rio foram torneios patrocinados pela Prefeitura do Rio de Janeiro, organizados pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos, atual CBF) e autorizados pela FIFA .
Em Março de 2007 a FIFA, após detalhado dossiê enviado pela Sociedade Esportiva Palmeiras, campeã deste torneio em 1951, reconheceu-o como um Campeonato Mundial de Clubes, segundo interpretação da imprensa, o que depois foi revisto, para pasar por nova análise pela FIFA. Na final o Palmeiras foi campeão ao empatar no Maracanã por 2 a 2 com a Juventus (havia ganhado o primeiro jogo por 2 a 1 em São Paulo), apoiado por mais de 100.000 torcedores presentes, em sua maioria cariocas, que viam na vitória do Palmeiras uma forma de atenuar a dor da perda da Copa do Mundo no ano anterior .
Aliás, jogo curioso aconteceu em 2 de Março de 1952, pelo Torneio Rio-São Paulo daquele ano, quando o Fluminense recebeu Palmeiras no Maracanã. Antes do jogo o Palmeiras deu a volta olímpica com uma faixa agradecendo a torcida carioca o apoio recebido na Copa Rio de 1951, sendo intensamente ovacionado pelos 31.930 torcedores presentes (25.437 pagantes). Ali estavam presentes o campeão da Copa Rio 1951 e o futuro campeão da Copa Rio 1952 em um encontro marcado pelas homenagens recíprocas. Um jogo com este espírito, teve no resultado de 2 a 2 o reflexo dos sentimentos de fraternidade e esportividade que foram registrados antes da partida. Estava prevista a realização de outra edição da Copa Rio em 1953, mas esta edição foi antecipada em homenagem ao cinquentenário do Fluminense Football Club, Decano dos grandes clubes brasileiros .
Em 1952, para haver a realização de um torneio internacional, inclusive o próprio deslocamento dos clubes, teria que haver a chancela da FIFA . A única dúvida que perdura sobre a legitimização da Copa Rio 1952 como Campeonato Mundial de Clubes é o que foi que a FIFA autorizou, qual era o espírito deste torneio .
Como no ano anterior, as dificuldades para o alinhamento dos oito concorrentes foram muito grandes e além disto houve um verdadeira batalha de demagogia na Câmara Municipal, onde vários vereadores decidiram não permitir o aumento dos ingressos, medida tão comum em se tratando de jogos internacionais. O Fluminense, que tomou para si a responsabilidade de promover a segunda Copa Rio, diante da luta que sustentou, teve fases de desânimo e chegou mesmo de uma vez a anunciar que desistiria de promover a Copa. Mas ao final de tudo a situação foi contornada, com uma verba de auxilio sendo aprovada pela Câmara Municipal.
Cabe salientar que alguns mal informados tentam dizer que o Torneio Rivadávia Meyer, realizado em 1953 seria uma continuação das duas Copas Rio, mas este torneio já não tinha o patrocínio da Prefeitura (motivo pelo qual não tinha o nome de Copa Rio) e por isto não teve adesão internacional (com muitas negativas aos convites) e foi um tremendo fracasso técnico (com alguns participantes brasileiros sendo convidados na última hora, sem se prepararem adequadamente para ele) , de mídia e de público .
Eu li os jornais da época e para mim isto seria o suficiente, mas segue para o leitor parte do artigo sobre a Copa Rio 1952 publicado no Anuário do Esporte Ilustrado 1953 : "Um detalhe que acabou marcando, de forma mais expressiva a II Copa Rio, é que ela foi a segunda e última. Em verdade, não se sabe bem porquê, cinco clubes do Rio e de S. Paulo reuniram-se e resolveram forçar a C.B.D. a extinguir a Copa Rio. Deixaram a entidade máxima com um torneio internacional na mesma época, mas com outro nome e outro regulamento. Inclusive aumentando o número de concorrentes brasileiros, que agora serão quatro: dois do Rio e dois de S. Paulo. E essa fórmula nova deverá começar a vigorar agora, neste ano de 1953".
-Sugiro que qualquer pesquisador sério que se interesse pela história deste torneio leia o artigo de Mário Filho publicado em 5 de Agosto de 1952 no Jornal dos Sports, em que o grande jornalista faz uma grande análise das duas edições da Copa Rio . É material indispensável, pois é a mais extensa e reflexiva análise sobre estes torneios que este articulista tem conhecimento . Muita bobagem escrita como verdade por aí não sairia no papel se seus autores estudassem o assunto nesta fonte indispensável para quem quiser compreendê-lo seriamente .
Aliás, a midia carioca cobriu este torneio de 1952 (não li sobre o de 1951 na época em que foi realizado) como um acontecimento extraordinário, tendo o Jornal dos Sports ícone da imprensa esportiva carioca neste momento, contado a história dos clubes e dos times antes de suas chegadas e coberto todos os clubes, mesmo os que ficaram sediados em São Paulo, reproduzindo diariamente entrevistas dos atletas, técnicos e dirigentes participantes, sem falar na cobertura dos jogos, obviamente . Poucos campeonatos dos anos 50 foram tão bem acompanhados por um órgão de imprensa naquela época, mas isto vale também para outros periódicos cariocas, que igualmente abriram espaços generosos para este grande acontecimento .
Outra fonte indispensável é o livro Fluminense Football Club, História, Conquistas e Glórias no Futebol, de Antônio Carlos Napoleão, com análise detalhada dos jogos envolvendo o Fluminense na Copa Rio 1952 .
Sobre os jogos, publicou o Anuário do Esporte Ilustrado 1953:
"A II Copa Rio foi iniciada num sábado à tarde - 12 de Julho. No Maracanã jogaram o Peñarol e o Grasshopers. O campeão uruguaio, franco favorito, pois contava com quase todo o time que levantara a Copa do Mundo em 50, lutou com dificuldades para conter o ferrolho suiço, conseguindo apenas uma modesta vitória por 1 a 0. No Pacaembu jogaram o Áustria e o Libertad, e o time vienense confirmando a sua classe já demonstrada em 51, venceu bem por 4 a 2."
"No dia seguinte, domingo, 13, jogaram no Maracanã, o Peñarol e o Sporting. Foi um match sensacional, em que os portugueses, resistindo bravamente aos ataques mais penetrantes dos tricolores, chegaram ao final da lutta com um honroso empate por 0 x 0. E no Pacaembu, o campeão paulista - Corinthians - estreava espetacularmente goleando o Saarbrücken por 6 x 1. "
" Na segunda rodada, na noite de 16, enfretaram-se, no Maracanã, o Peñarol e o Sporting. Foi um match bem movimentado, em que a melhor classe dos uruguaios acabou se impondo à valentia dos portugueses, pela contagem de 3 x 1. O primeiro tempo terminou empatado em 0 x 0. Enquanto isso no Pacaembu, o Áustria voltava a vencer, impondo-se com facilidade ao Saarbrücken por 5 x 1."
"Na noite seguinte, voltou o campeão carioca ao Maracanã para enfrentar o Grasshopers e viver outro drama intenso. Encontran-do a mesma dificuldade que havia encontrado o Peñarol para romper o ferrôlho suiço, o Fluminense não conseguiu nada no primeiro tempo, que terminou 0 x 0. E na segunda fase, somente quando faltavam doze minutos para findar a luta, foi que marcou o gol da vitória. Já n Pacaembu, o Corinthians voltava a marcar um triunfo fácil, abatendo o Libertad, pela ampla vantagem de 6 x 0."
"Na tarde de sábado, 19, o Sporting e o Grasshopers despediam-se do torneio no Maracanã. Ratificando a boa impressão da estréia, os portugueses levaram a melhor na luta, derrotando os suiços por 2 x 1. E no Pacaembu despediam-se também os dois perdedores da série paulista, com os paraguaios do Libertad derrotando os alemães do Saarbrücken por 4 x 1."
"No dia seguinte, encerrando o turno carioca de classificação, jogaram no Maracanã o Fluminense e o Peñarol. Os tricolores, que não haviam convencido nos dois primeiros jogos, se reabilitaram no cotejo com os campeões uruguaios, vencendo bem por 3 x 0 e firmando-se assim como o nº 1 da chave. No Pacaembu defrotaram-se os também invictos, Corinthians e Áustria, sendo que desta feita o campeão paulista não conseguiu a goleada que vinha marcando sucessivamente. Com muita dificuldade venceu por 2 x 1, sendo que o primeiro tempo terminou com a vantagem de 1 x 0 para os austríacos."
De acordo com a regulamentação do certame, nas semi-finais o Fluminense teve que enfrentar o Áustria, segundo colocado na chave paulista, enquanto Corinthians jogava com o Peñarol. O primeiro jogo realizado entre os tricolores e os austríacos no Maracanã terminou com a difícil vitória do campeão carioca por 1 x 0 apenas. No segundo jogo, porém, o Fluminense conseguiu desbaratar a resistência austríaca, vencendo por 5 x 2. O Áustria na metade do primeiro tempo este vencendo por 2 x 1, mas já no final desta fase os tricolores estavam à frente com 3 x 2.
No Pacaembu, o Corinthians e o Peñarol jogaram apenas a primeira metade da semifinal. Tão acidentada foi esta peleja, ganha pelo campeão paulista por 2 x 1 que o Peñarol desistiu da segunda, abandonando o certame. Interessante é que os uruguaios se queixaram da violência do jogo, mas foi o Corinthians que teve dois players fora de combate: - Baltazar, com fratura e afundamento do malar, e Murilo com forte contusão no joelho. Ambos não puderam jogar mais até o fim do certame. Dois uruguaios foram expulsos de campo, sendo Romero por jogo violento e Miguz por agressão ao árbitro, o alemão Dinger.
Com a vitória do Fluminense sobre o Áustria e a desistência do Peñarol, ficarm os dois clubes brasileiros classificados para a final da II Copa Rio. No primeiro jogo, o Fluminense levou a melhor pela contagem de 2 x 0, marcando um goal em cada tempo. No segundo encontro, na noite de 3 de Agosto, registrou-se um empate de 2 x 2 e assim o Fluminense sagrou-se campeão do certame. Uma vitória tão mais expressiva porque conquistada justamente no ano do cinquetenário do tricolor carioca.
Escrevendo sobre as Copas Rio, Mauro Betting, jornalista sério atribuindo ao pesquisador (corinthiano) Celso Unzete tal reflexão em artigo seu no jornal LANCE , afirmou que as Copas Rio tem necessidade de serem reconhecidas como campeonatos mundiais, assim como outros torneios do passado lutam para serem reconhecidos como suas continuidades, porque o povo de hoje não tem idéia do que eram .
Seria algo como ter que chamar Dom Pedro II de presidente, para que alguém entenda a importância de um imperador . Este jornalista honesto é contra a equiparação das Copas Rio, porque ele conhecesse as suas importâncias e acha que não havia necessidade de se haver tal reconhecimento, mesmo ele sendo palmeirense, com o Palmeiras já tendo sido reconhecido como campeão mundial de clubes de 1951 segundo interpretação da imprensa, o que depois foi revisto, aguardando decisão final da FIFA .
Não importa se o Fluminense será ou não reconhecido como campeão mundial . Imperador ou presidente ? Podem escolher, pois a Copa Rio 1952 foi um campeonato muito importante em sua época, independente de ter que ser chamada de Campeonato Mundial de Clubes e sua história deve ser preservada e exaltada .
Colaboração: Alexandre Magno Barreto Berwanger

6 comentários:
QUERIA SABER O PORQUE A FIFA E A CBF NÃO RECONHECEM ESTE TITULO., VAMOS LUTAR POR ELE JÁ !!!!!!!!!!
QUERIA SABER O PORQUE A FIFA E A CBF NÃO RECONHECEM ESTE TITULO., VAMOS LUTAR POR ELE JÁ !!!!!!!!!!
QUERIA SABER O PORQUE A FIFA E A CBF NÃO RECONHECEM ESTE TITULO., VAMOS LUTAR POR ELE JÁ !!!!!!!!!!
QUERIA SABER PORQUE NÃO FAZEMOS LOGO UMA GRANDE CAPANHA, PARA QUE ESTE TITULO SEJA RECONHECIDO, POIS JÁ PASSOU DO TEMPO, !! JÁ
Corre em segunda estancia o reconhecimento ou não da Copa Rio de 1951 e 1952 pela fifa (sem data para apreciação).
SE NÃO CORREMOS ATRÁS NUNCA VAI SER RECONHECIDO, NUNCA, SE DEIXARMOS NAS MÃOS DESSES MÁFIOSOS DA FIFA E DA CBF. VAMOS A LUTA TRICOLORES ESSE TITULO É NOSSO.
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