terça-feira, 4 de março de 2008

De repente me vi radialista

por Mario Lopomo O rádio sempre foi minha paixão. No inicio dos anos 1950, quando a televisão ainda estava engatinhando, o rádio era a visão e ilusão de todos que interpretavam aquilo que era só ouvido. Não só nas radio novelas, como também as transmissões do futebol, com a gente pensando ou se iludindo com aquilo que ouvia. Eu na metade dos anos acima citado, era um macaco de auditório, da radio nacional. Sempre que podia ia assistir o programa Manoel de Nóbrega, na Rua Sebastião Pereira. Foi lá que conheci Silvio Santos recém chegado do Rio de Janeiro, onde vendia canetas, tocava musicas na barca Rio Niterói. Foi o delegado do Rio que era muito amigo de Nóbrega, que pediu para contratar aquele camelô que tanto enchia o saco dele. Silvio fazia a locução comercial com Helio de Aguiar. Que às onze horas apresentava a Parada de Sucesso. Nóbrega brincava muito com o Hélio. Suspendia a barra da calça até o joelho dele, virava o paletó ao contrario, penteava o cabelo dele para frente, e ele não parava de ler e nem ria. Já quando Nóbrega ia começar a fazer isso no Silvio, ele pulava que nem um cabrito por sentir cócegas. Ficava vermelho. Daí surgiu o apelido de Peru. O Peru que fala. Em 1958, fiquei vidrado em ouvir a radio Bandeirantes, por causa da contratação do Pedro Luiz e Mario Morais, locutor e comentarista esportivo. Tinha um amigo, o Mario Lúcio, que também adorava falar num microfone. Era só vir um parque de diversão na Vila Olímpia, ou na quermesse da igreja do Divino Salvador, que lá estava ele de microfone na mão: Senhoras e senhores, estamos dando inicio aos trabalhos do serviço de alto falante, para tocar musicas e atender os pedidos e oferecimentos musicais. Dando início ao nosso trabalho, vamos ouvir com Nelson Gonçalves, A VOLTA DO BOEMIO. Música essa que a Valquiria oferece ao Anézio, com prova de muito carinho. No final dos anos 60 me encontro com Mario Lucio no vale do Anhangabaú, e ele muito sorridente, me diz: Xará, sabe onde estou trabalhando? - Não, mas pela sua felicidade deve ser no funcionalismo público. - Que nada! Estou trabalhando na rádio bandeirantes.- Pô que legal, com essa voz forte e firme, que você tem, deve ter sido contratado como locutor.- Que nada, trabalho na portaria. A propósito porque você não vai trabalhar lá?- Eu, trabalhar no rádio? O que iria eu fazer lá? - Xará, você sempre lidou com futebol, foi diretor, fez até estatutos de diretoria. O esporte seria uma boa para você. Vai tomar um café comigo lá. Já era Janeiro de 1970. E estava de férias, aproveitei e fui fazer uma visita para o xará. Lá chegando, ele pediu a um colega de trabalho que ficasse na portaria, e fomos para o bar da rádio tomar um café. Mario Lúcio, para se mostrar que era amigo de todos, me apresentava a todos que apareciam. Ai me levou a sala do esporte. Foi direto a mesa do diretor de esporte Dinamerico Aguiar, dizendo: Olha esse é meu amigo Mário Lopomo. Ele quer trabalhar na rádio bandeirantes. Confesso que já estava sem saber o que dizer. Eu queria trabalhar na rádio era invenção dele. Dinamerico olhou bem para mim e mandou ele me levar até o João Zanforlin que era o locutor de plantão e chefe também do QG dos esportes. Zanforlin olhou para mim e mandou ele me levar até o José Carlos Guerra. Pensei comigo. Já estou fazendo papel de palhaço. Naquele momento o Guerra estava entrando na sala. Mario Lúcio disse a ele a mesma coisa que dissera aos outros. O José Carlos Guerra, tinha uns óculos fundo de garrafa. Era o tipo do cara que ficava de boca aberta e daquele jeito olhou para mim e disse: Pode começar no domingo. Estávamos numa quarta feira. Confesso que não entendi nada. Mario Lúcio ria de canto a canto da boca. Ao voltármos, ele feliz da vida foi dizendo: Não te disse xará, que te arrumava um trampo aqui na rádio? Fui para casa só pensando. O quê que vou fazer nessa rádio? Ao chegar em casa falei para minha mulher (era recém casado): Maria, arrumei outro emprego. Advinha onde. - Sei lá, diz logo ai vai! - Na rádio bandeirantes, acredita? Ela deu uma tremenda gargalhada. - Que é, vai trabalhar de faxineiro? - Sei lá só sei que me mandaram ir já no próximo domingo. Vou às quartas feiras, Quintas, Sábados e Domingos e feriados. Enfim sempre que houver uma jornada esportiva. Quando eu era somente ouvinte, eles falavam os nomes de todos que tinham trabalhado naquela transmissão. E sempre ouvia o nome da Ivone Mendonça. Dali em diante eu ia ser seu colega de trabalho. Estava ansioso por conhecê-la. Pensava. Será que ela é bonita? Quando cheguei para o primeiro dia de trabalho Mario Lucio me encaminhou até o plantão esportivo, e fui recebido pelo coordenador José Obis. Então fiquei sabendo o que ia fazer. Colocaram-me fones no ouvido, ligaram um rádio, e me mandaram anotar quando saía gol entregar ao locutor de plantão, que era o João Zanforlin. Quando terminou os jogos e que todos já estavam sem os fones, perguntei ao José Obis. Quem é a Ivone Mendonça. Ele começou a rir e me apontou um rapaz. Foi uma decepção. Nunca tinha conhecido um cara com nome de Ivone. Na brincadeira disseram que a irmã dele se chamava Marco Antonio. Ele era oriundo de Minas Gerais. Trabalhei com grandes nomes do radio esportivo. Fiori Gigliotti, recentemente falecido. Mauro Pinheiro, Jose Paulo de Andrade, Flavio Araújo, Helio Ribeiro, Muibo Cury, Lourival Pacheco, e muitos outros. Histórias do rádio, tenho aos montes. Fontes: http://www.saopaulominhacidade.com.br/ http://mlopomo.zip.net/

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