sexta-feira, 6 de julho de 2012

Fla-Flu

Cem anos de Fla-Flu tem sumiço de bola, telegrama e multa por goleada

O clássico Fla-Flu é considerado o mais charmoso do futebol brasileiro, mas poderia também ser tratado como o mais inusitado. Em 100 anos de confrontos, os jogos entre Flamengo e Fluminense acumulam tantos causos que é difícil acreditar que eles ocorreram só em partidas entre os dois clubes.

De jogo anulado a bola perdida, de mascote azarado a craque consagrado, quase tudo já aconteceu durante um Fla-Flu. Dez desses acontecimentos foram descritos abaixo pelo UOL Esporte. Cada um a sua maneira, eles ajudam a contar a história do clássico, que faz aniversário neste sábado.

BOLA NA ARQUIBANCADA PARA JOGO POR 20 MINUTOS
Em dezembro de 1916, Flamengo e Fluminense se enfrentaram em General Severiano pelo Campeonato Carioca. O jogo era duro e, durante uma disputa, jogadores acabaram chutando a bola no telhado da arquibancada do estádio. Naquela época, não havia bolas reserva. O jogo ficou parado por 20 minutos até que conseguissem recuperar a bola. No final, o Flu acabou vencendo o Fla por 3 a 1.

TORCIDA TRICOLOR INVADE O CAMPO E JOGO É ANULADO
No dia 22 de outubro de 1916 o Campeonato Carioca teve seu 1º jogo anulado. O Flamengo vencia o Fluminense por 2 a 1, quando o Rubro-negro teve um pênalti a seu favor. Sidney cobrou e o goleiro Marcos de Mendonça defendeu. O árbitro mandou repetir a cobrança por duas vezes. Conselheiros e torcedores do Flu invadiram o gramado e interromperam a partida. Como o regulamento dizia que um jogo não podia ficar paralisado por mais de cinco minutos, o confronto foi anulado

FALSA PROVOCAÇÃO CAUSA REAÇÃO VERDADEIRA
O atacante Preguinho, do Fluminense, entrou em campo para o Fla-Flu das finais de 1928 louco para se vingar do goleiro rival Amado. Dias antes, Preguinho havia recebido um telegrama de Amado dizendo que ele não marcaria nenhum gol naquela partida - ele marcou dois na vitória do Flamengo por 4 a 1. Depois do jogo, soube-se que Amado nunca enviou a correspondência para seu adversário. O telegrama falso acabou causando uma reação real. Melhor para o Flu.

BOLA PRA LAGOA QUE O JOGO É DE CAMPEONATO
A final do Carioca de 1941 foi disputada em um campo ao lado da Lagoa Rodrigo de Freitas. O Flu precisava empatar para ser campeão e ganhava o jogo por 2 a 1 até os 39min do 2º tempo. O Fla, então, conseguiu empatar e partiu para o ataque. Os jogadores tricolores passaram a chutar as bolas para dentro da lagoa. Remadores rubro-negros ficaram de prontidão para recuperá-las, mas o esforço foi em vão.

GOLEADA DO FLA GERA MULTA PARA JOGADORES DO FLU
A goleada de 6 a 1 do Flamengo sobre o Fluminense em 1956 doeu no bolso dos jogadores tricolores. Todos os que estiveram em campo foram multados em 20% do seu salário por causa daquela partida. O goleiro Veludo, que foi reserva da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1954, recebeu uma punição ainda maior. Teve 60% do seu salário cortado por causa da derrota. A multa causou impacto na autoestima do goleiro, que depois daquele jogo nunca mais foi o mesmo. Sua carreira mingou e, anos depois, Veludo se aposentou devido a problemas ligados ao alcoolismo.

CAI-CAI DE RIVELINO TIRA FLAMENGO DA DISPUTA
Botafogo, Flamengo e Fluminense disputavam até a última rodada o título do Carioca de 1976. O Botafogo abriu vantagem e precisava de uma vitória contra o Goytacaz para ser campeão, enquanto Flamengo e Fluminense se enfrentavam – precisavam vencer e torcer por um tropeço do alvinegro. O Flu abriu o placar, mas o Fla empatou no 02º tempo. No final do jogo, três jogadores do Flu foram expulsos. Sabendo que, se o Flamengo virasse, o time poderia se sagrar campeão, o craque Rivelino preferiu não arriscar. Colocou a mão na coxa e deixou o campo. O Flu já havia feito suas substituições. Sem o número mínimo de jogadores em campo, o árbitro encerrou a partida. Fla e Flu empataram e deram o título para o Botafogo.

"LA MANO DE DIOS" TRICOLOR
A vitória de 1 a 0 do Fluminense sobre o Flamengo em jogo do torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968 foi chorada. O gol da vitória do tricolor saiu só no segundo tempo após um lance, no mínimo, estranho. O ponta-direita Wilton recebeu um lançamento de Samarone, driblou o goleiro do Flamengo, Marco Aurélio, com um toque de mão e fez o gol. O árbitro não marcou a irregularidade e, hoje, o tento é lembrado como a "mão de deus tricolor", em alusão ao gol de Maradona na Copa de 1986.

URUBU TRAZ AZAR PARA O FLAMENGO
Um urubu interrompeu o Fla-Flu decisivo da fase final do Carioca de 1983. A ave, que é símbolo do Fla, foi solta pela torcida rubro-negra e invadiu o gramado. Depois de gandulas tentarem sem sucesso apanhar o animal, o jogador tricolor Aldo conseguiu. O jogo recomeçou e Assis, do Flu, fez o único gol da partida. Na rodada seguinte, o Flu se sagraria campeão e Assis entraria para a história do clube.

O FLA-FLU DAS DIRETAS JÁ
O Fla-Flu da final da taça Guanabara de 1984 virou também uma disputa política. Em meio à campanha das Diretas Já, jogadores do Fluminense posaram para fotos ao lado de Paulo Maluf, que na época era candidato a presidente pelo partido alinhado ao regime militar. Rapidamente, a torcida do Flamengo declarou seu apoio a Tancredo Neves. O Fla venceu o jogo por 1 a 0 e, mais tarde, Tancredo venceu a eleição, mas morreu antes de assumir.

O DIA EM QUE O GALINHO VIROU DEUS
O Fla-Flu que abriu o Campeonato Carioca de 1986 marcou a transformação de Zico em um mito. O jogador do Flamengo entrou em campo sendo provocado pela torcida do Fluminense, time que havia ganhado os três últimos estaduais. Mesmo assim, marcou três gols na vitória de 4 a 1 do Fla sobre o Flu e, naquele jogo, ratificou ser um dos maiores da história do clube da Gávea.
Fonte: www.uol.com.br/

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