segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Aleijadinho (Antonio Francisco Lisboa)

Ataíde Lemos* Gênio, nascido em terras mineiras Filho de português com sua escrava Isabel Em suas veias com o belo dom já nasceu Presente que de Deus e de seu pai recebeu. Do pai foi aluno e a arte aperfeiçoou Até que num artista transformou Tornando-se maior que seu professor. Personalizou a arte barroca com um tom especial E seu nome imortalizou. Aos quarenta anos de uma doença foi acometido Partes dos membros dos pés e mãos foram extraídos Porém foi neste período que teve ascensão Suas esculturas atraíam muita atenção. Fez obras de grande preciosidade Que podem ser admiradas em varias cidades Como os 12 profetas em Congonhas, Imagens esculpidas em madeira, pedra sabão... Várias outras sacras em Ouro Preto, Sabará e região. Aleijadinho como ficou conhecido Escreveu sua história para as gerações Cujos restos mortais depositados estão Na igreja construída pelo seu tio e se pai Nossa Senhora da Conceição. *Ataíde Lemos é Poeta e Escritor
Antônio Francisco Lisboa nasceu em 29 de agosto de 1730 em Vila Rica, Minas Gerais. Filho de Manuel Francisco da Costa Lisboa, arquiteto português e de Isabel, uma africana, crioula e escrava do próprio Lisboa, que foi libertada por ocasião do batizado de Francisco, que era pardo-escuro, baixo, com cabelos encaracolados, orelhas grandes e beiços grossos.
Sabia ler e escrever e tinha conhecimento de desenho, arquitetura e escultura que obteve na escola prática do pai e também com o desenhista e pintor João Gomes Batista.
Depois de muitos anos de trabalho sob a vista do pai, que era tido como o primeiro arquiteto da província, fez sua carreira de mestre de arquitetura e escultura e, nesta qualidade, excedeu a todos os artistas deste gênero.
Em 1766, recebeu a encomenda do projeto da Igreja de São Francisco de Assis, de Ouro Preto.
Em 1767 seu pai morreu. Com 47 anos de idade teve um filho ao qual deu o mesmo nome do seu pai.
Em 1774 construiu a Igreja de São João Del Rei, em Tiradentes.
Passou a vida no exercício de sua arte, cuidando sempre de ter boa mesa, mulheres e de dançar, até que lhe aparecessem as moléstias que o atacaram fortemente em 1777.
Sofreu com uma série de males que lhe causaram deformidades, paralisias e muitas dores.
Antônio Francisco perdeu todos os dedos dos pés, tendo que andar de joelhos, as mãos atrofiaram-se e curvaram, chegando a perder parte delas, as pálpebras inflamaram-se, atrapalhando a visão, perdeu quase todos os dentes, a boca entortou, causando um aspecto asqueroso e medonho. Devido a estas deformidades recebeu o apelido de O Aleijadinho, pelo qual veio a ser conhecido.
Teve 2 fiéis escravos e entalhadores, Maurício e Agostinho, que muito o ajudaram.
Em 1780 recebeu diversas encomendas em Sabará, dentre elas a da ornamentação interna e externa da Igreja da Ordem Terceira do Carmo.
O artista, já com a doença em estado avançado, trabalhou em Ouro Preto, Sabará, Mariana, Congonhas do Campo, Barão de Cocais, Tiradentes, Nova Lima, Caetés e em vários outros lugares de Minas Gerais.
O Aleijadinho começou esculpindo a madeira, daí os púlpitos, portas, pias batismais, altares e pequenas esculturas, geralmente de santos e anjos gorduchos e sorridentes, ao todo sessenta e seis imagens de madeira esculpidas entre os anos de 1796 a 1799.
Trocou a madeira pela pedra-sabão e esculpiu Os Doze Profetas, uma verdadeira obra-prima, que repartem entre si o espaço externo do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo. Essas esculturas tomaram um aspecto diferente de toda a obra do Grande Mestre e isto se nota nas atitudes, nas mãos e nos traços do rosto dos Profetas, que aparecem como criaturas humanas, homens sofredores, martirizados e mergulhados em oração. Fez também as figuras que compõem Os Passos da Via Crucis que mostram a piedade cristã, sendo ao mesmo tempo obras de arte e de devoção.
São também dele várias esculturas em pedra-sabão de imagens de santos espalhadas por várias igrejas de Minas Gerais.
A perícia do Aleijadinho era indescritível, mesmo sem os dedos das mãos e ajoelhado, trabalhando escondido sob uma tenda ou com um manto que lhe encobria as deformidades, trabalhando a noite e com pouca luminosidade.
A doença que lhe consumia o corpo não apagava o gênio que semeava obras de arte. Nos seus 2 últimos anos de vida, passou em uma casa miserável, sem sair do leito que era um estrado de 3 tábuas sobre toras de madeira, sempre a ler a Bíblia e a alternar momentos de lucidez com as dores e as chagas que lhe consumiam o corpo.
Em 18 de novembro de 1814, Antônio Francisco Lisboa faleceu em Vila Rica e seu corpo está na Matriz de Antônio Dias em uma sepultura junto ao altar da Nossa Senhora da Boa Morte.

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