sexta-feira, 4 de maio de 2012

Literatura

“O ENGENHEIRO QUE GOSTA DE ENSINAR”

O jornalista e escritor Geraldo Muanis lança no próximo dia 09, às 19h30min, no Anfiteatro 2 do prédio novo da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Engenharia, o livro "O Engenheiro que Gosta de Ensinar", que refaz a trajetória do professor Renato José Abramo. A obra resulta da tarefa idealizada pelo Clube de Engenharia de Juiz de Fora para iniciar a série "Engenheiros Notáveis de Juiz de Fora", projeto desenvolvido com o objetivo de resgatar e homenagear os profissionais que criaram e fizeram a história da cidade e região. A escolha do nome de Renato Abramo para iniciar a jornada evidencia sua importância como professor e engenheiro. É o grande ícone da categoria, paradigma e exemplo de competência e ética. Acima de tudo, um homem devotado à sua cidade, um cidadão que por mais de 15 anos presta inestimáveis serviços à Defesa Civil, sempre se negando a ser remunerado por isto. Na verdade, Renato Abramo é o grande "Anjo da Guarda" de Juiz de Fora, aquele que sempre foi e é acionado nos momentos de ameaças de desabamentos e tragédias, sejam provocadas por intempéries ou por falhas humanas. Basta dizer que, nos momentos de maior aflição e incerteza, sua palavra sempre foi o aval necessário para a tomada de decisões. Da mesma forma, jamais se furtou ao atendimento às empresas particulares e aos ex-alunos que a ele recorreram e ainda buscam socorro nos momentos de desespero diante da iminência de um desastre.

Aos 77 anos de idade, Renato Abramo é um homem que carrega consigo uma aura de dignidade e que, ao longo de sua vida granjeou respeito e reverência. Todavia, à margem de qualquer confete ou vaidade pessoal, mantém de pé sua modéstia e humildade, acreditando que tudo o que faz nada mais é do que uma devolução ao que recebeu da vida. Toda a sua vasta e enciclopédica cultura têm como destinação a ajuda ao próximo, com a solidariedade como lema. Renato Abramo jamais quis deixar Juiz de Fora, nunca se imaginou vivendo em outra cidade. E tornou-se o seu "Anjo da Guarda".

A ideia inicial do projeto partiu do secretário da instituição, Luiz Cezar Duarte Pacheco, sendo encampada de imediato pelo presidente Daniel Rigoli, que afirma: “Lamentavelmente, até aqui não tínhamos escrito, protocolado e arquivado uma história da Engenharia de Juiz de Fora. Foi esta preocupação que levou o Clube de Engenharia a iniciar esta jornada com a edição do primeiro livro sobre os “Engenheiros Notáveis de Juiz de Fora”. Nossa intenção é resgatar e homenagear os profissionais que criaram e fizeram a história da nossa região. Quando fomos escolher o nome do primeiro biografado, fomos unânimes, pois constatamos que ninguém melhor para representar, para situar e engrandecer essa história como o professor Renato José Abramo, que temos – nós, técnicos, engenheiros, construtores, agrônomos, prefeitos, vereadores, políticos da região – como reserva ética da Engenharia de Juiz de Fora.”

A edição de "O Engenheiro que Gosta de Ensinar" tem o apoio da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora e da Mútua-MG (Caixa de Assistência dos Profissionais do CREA);

CONHECIMENTO E MODÉSTIA
O silencioso trabalho de Renato Abramo por Juiz de Fora jamais se prendeu a questões políticas ou a quaisquer cores partidárias. Atravessou várias administrações e sempre que é chamado está pronto para auxiliar a Defesa Civil com seus conhecimentos. Ele investiu uma vida inteira em soluções para o município sem qualquer cunho financeiro, fazendo absoluta questão de não ser remunerado, principalmente quando se tratava de serviços públicos, sob o argumento de estar devolvendo à sociedade o que recebera. Mesmo que seja instado a deixar a tranqüilidade de seu lar às quatro horas da madrugada, debaixo de chuva intensa. Da mesma forma, está sempre pronto para atender empresas particulares e ex-alunos que a ele recorrem nos momentos de desespero diante da iminência de um desastre.

MUITOS CAUSOS
A forma como o professor Renato Abramo repassa seus conhecimentos sempre intrigou alunos, professores e amigos. E a maneira tranqüila que enfrenta as piores situações, capazes de abalar as estruturas cardíacas de quem vê a iminência de um desastre, também sempre provocou a mesma interrogação em suas cabeças. No livro, ele relembra alguns casos que pareciam insolúveis ou mesmo de outra esfera, que não a material, como os problemas no Bairro Cascatinha ou no prédio do Clube Sírio e Libanês, na Avenida Barão do Rio Branco. Se no primeiro caso ganhou fama de profeta, no segundo quase foi canonizado. Os “causos” se multiplicam ao longo da obra, que traz à tona suas lembranças e dos companheiros dos tempos em que os universitários se reuniam no Bar Alhambra, na esquina da Galeria Pio X com a Rua Marechal Deodoro, em frente aos Correios. Tempos áureos das acirradas disputas entre Engenharia e Medicina nos Jogos Universitários.

Para a segunda parte do livro, Geraldo Muanis colheu depoimentos de 15 colegas, ex-alunos e amigos que conviveram e ainda convivem com Renato Abramo. Em cada um deles está evidenciado o respeito e o reconhecimento ao professor Abramo, com a gratidão daqueles que reconhecem no biografado sua devoção à Engenharia, o amor por Juiz de Fora e a sua solidariedade para com o ser humano.

FRASES DO MESTRE ABRAMO
"A Engenharia não é complicada, as pessoas é que são complicadas. É preciso começar pela essência das coisas para termos o domínio da coisa. Feito isso, acabou".

"Cada pessoa tem um jeito de entender e o que sempre procurei fazer é tentar descobrir uma forma de fazer com que cada um compreendesse o que estava tentava repassar. Então, começava de novo, reelaborava o raciocínio de novas maneiras e até fazia de trás para frente. E consegui resultados muito bons com essa estratégia".

"Os tamancos das trabalhadoras eram como música batendo nas calçadas". (Relembrando sua infância e os tempos em que Juiz de Fora era considerada a “Manchester Mineira”).

"Somos más companhias um e outro, sem saber quem é pior". (Sobre o amigo e fiel escudeiro Julinho Corneteiro, o engenheiro Júlio César Horta Barbosa).

"Quando você resolve a dificuldade de uma pessoa ela considera que você é um mestre, mas você está apenas passando para ela um pouco do que você aprendeu na vida. Na verdade, você não é mestre de nada, nós não somos mestres de nada, não sabemos nada, e isso não existe".

“Nasci engenheiro, isto é um defeito de fabricação, não é escolha pessoal, já nasci com essa inclinação e todos os caminhos que percorri davam na Engenharia”.

“Meu pai era um homem muito trabalhador, muito. E decidido, não media o tamanho da tarefa, não, ele saía fazendo. Era um homem muito sério, muito cuidadoso no que fazia, adquiriu o nome muito bom e em grande parte eu desfruto desse nome que ele deixou”. (Sobre seu pai, o construtor José Abramo).

"O principal disso tudo é que o professor que quisesse exercer o magistério na Escola de Engenharia de Juiz de Fora tinha que ser profissional de Engenharia, atuante na área que ele fosse ensinar. Era pré-requisito".

"Não fizemos o curso com acadêmicos, não. Foi com gente que punha a mão na massa. O nosso ponto de vista em face ao problema de engenharia é completamente diferente do ponto de vista atual. Ainda mais agora, com computador".

"O estudo de engenharia antigamente era muito pesado e o engenheiro tinha que ter uma formação bastante científica, tecnológica e politécnica".

"É o que eu sempre tentei ser. Eu não me considerava professor, eu me considerava engenheiro que ensinava. Meus alunos sabem disso".

"Fica no Centro de Juiz de Fora e a rua tem nome de santo". (Sobre um dos problemas mais complicados que enfrentou).

"Você pode deixar que nós vamos colocar esse prédio de pé". (Tranqüilizando o dono de um prédio que ameaçava ruir no Bairro Borboleta).

"Não tinha nenhuma profecia, porque o negócio ia cair mesmo. Era uma coisa óbvia, é que eles não foram olhar, não conheciam o tipo de solo, não conheciam que aquele solo ia despencar sozinho, não tinha mais condição de ficar em pé sozinho lá". (Tranqüilizando os moradores e seus vizinhos de um prédio que ameaçava ruir no Bairro Borboleta).

"Fiz uma benzeção lá e está resolvido o problema. Já deixei o pessoal todo avisado qual a reza que tem que fazer para não acontecer isso mais. Se acontecer de novo, é só me chamar que vou botar eles todos na rua, vou botar eles para fora do prédio, eles estão avisados". (Depois de resolver um problema que parecia do outro mundo no prédio do Clube Sírio e Libanês).

“Teve casa que foi empurrada até à beira do passeio, pois as fundações ficaram completamente anuladas”. (Sobre a tragédia no Bairro Santa Tereza).

"Talvez seja um acaso do destino, um acontecimento quase insólito que isso somou e resultou no engenheiro que gostava de ensinar”.

O AUTOR
Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora, em dezembro de 1980, o jornalista e escritor Geraldo Muanis trabalhou no jornal “Tribuna de Minas” e “Tribuna da Tarde” durante 10 anos, participando da fundação do primeiro, em setembro de 1981. Também atuou na implantação do jornal “Panorama” e trabalhou no “JF Hoje”. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora, de 17 de outubro de 1993 a 17 de outubro de 1996.

Além da passagem por várias editorias dos jornais, notadamente de Política e Esportes, trabalhou em assessoria de imprensa no Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia – Critt – da UFJF e no Softex 2000, na Faculdade de Engenharia da UFJF, onde também desempenhou as funções de secretário executivo. Publicou cinco livros:
- “Sinfonia Solitária em Dor-Maior”, romance, 1986;
- “Eu Me Lembro das Pessoas que Um Dia Eu Fui”, romance, 1991;
- “Se Você Souber, Os Olhos Não Mentem”, poesias, 1992;
- “Domingo Frio de Outono”, contos, 1993; e
- “Os Últimos Dias de Nova Roma”, romance, 1996.
Texto para Teatro: “No Silêncio Restrito do Amor e da Morte”, escrito em 2001. Livro inédito: “Teu Corpo é uma Estátua Nua que Gira no Centro de Minha Mente”, poemas inteiramente dedicados às mulheres. Cada poema leva o nome de uma mulher. Também prepara a sequência de “Os Últimos Dias de Nova Roma”, intitulado “Bolero de Ravel em Nova Roma”.

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