quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Barbosa Filho

Comentarista esportivo de rádio e de TV, Barbosa Filho morreu na madrugada do dia 12 de julho de 2007, vítima de câncer, e seu corpo foi cremado no bairro da Vila Alpina, zona leste da capital paulista. Ele estava aposentado e morava em Vinhedo, no interior de São Paulo (região de Campinas) com sua esposa D- Luci e sua filha Christianne.


por Edemar Annuseck Júnior*

PRINCÍPIO
Jaime Lopes Barbosa, nacionalmente conhecido como Barbosa Filho, nasceu na ilha de São Luís do Maranhão, às margens da baía de S. Marcos.

A Segunda Guerra Mundial ainda estava em pleno curso, no dia em que o futuro comentarista de renomada popularidade deu seu primeiro passo na crônica esportiva da capital maranhense.

CARREIRA
Foi como narrador esportivo da Rádio Ribamar que Barbosa Filho estreou profissionalmente, aos 18 anos de idade.

No ano seguinte, a Rádio Iracema lhe adquiriu o passe, forçando-o a trocar São Luís por Fortaleza. Em 1948, o interesse dos Diários Associados por seu nome lhe rendeu um novo contrato, dessa vez com a Ceará Rádio Clube, emissora vinculada ao grupo de Assis Chateaubriand.

Em 1950, Barbosa Filho foi contratado pela Rádio Tamoio do Rio de Janeiro, para narrar os jogos da V Copa do Mundo. Uma sucessão de acontecimentos alterou, contudo, a proposta original da emissora carioca. Poucos meses antes do Mundial, o famoso Ari Barroso, diretor dos Diários Associados no Rio de Janeiro, promoveu um concurso, a fim de escolher um narrador esportivo para cada uma das emissoras componentes da rede.

Rui Viotti, o segundo mais votado, tornou-se um dos locutores oficiais da Rádio Tamoio, secundando o narrador titular Mário Provenzano, na cobertura do evento patrocinado pela FIFA. Dessa maneira, Barbosa Filho, originalmente contratado pela emissora carioca para narrar os jogos da Copa do Mundo de 1950, trocou definitivamente a profissão de narrador pela de comentarista esportivo.

Depois de comentar o Mundial disputado em solo brasileiro, Barbosa Filho retornou brevemente à Ceará Rádio Clube, trocando-a logo a seguir pela Rádio Sociedade da Bahia, na qual permaneceu até o fim do ano.

No princípio de 1952, o ex-narrador foi contratado pela histórica Rádio Jornal do Commercio do Recife. Por causa de seu poderoso transmissor de ondas curtas, que lhe permitia ser claramente sintonizada por quem estivesse na Europa, a emissora pernambucana gozava então do slogan Radio Jornal do Commercio: Pernambuco falando para o Mundo.

Em 1954, essa grande capacidade de propagação dos transmissores da Rádio Jornal do Commercio atraiu a Rádio Bandeirantes de S. Paulo, a ponto de torná-las parceiras, na cobertura da Copa do Mundo da Suíça. Justamente esse primeiro contato com a emissora da família Saad ajudaria Barbosa Filho a ingressar no disputado cenário radiofônico paulista, na década seguinte.

Durante onze anos, Barbosa Filho empunhou o microfone da importante emissora pernambucana. A parceria só terminou em 1963, quando Édson Leite e Murilo Leite o contrataram para dirigir a Rádio Excelsior de São Paulo, cuja equipe esportiva ostensivamente alinhava os nomes de Geraldo José de Almeida, Flávio Araújo e Mário Moraes.

Mas um atrito de Édson Leite com a direção da Rádio Excelsior mudou todo o quadro, abreviando a passagem de Barbosa Filho pela nova emissora, de modo a colocá-lo novamente em contato com a família Saad.

Pouco tempo depois, Barbosa Filho estaria assumindo a coordenação da Cadeia Verde-Amarela da Rádio Bandeirantes de S. Paulo. Em 1965, quando uma grande fuga de profissionais, como Pedro Luiz e Mário Moraes, desfalcou consideravelmente o Escrete do Rádio, Barbosa Filho reassumiu sua carreira de comentarista, a pedido de Murilo Leite.

Foi durante essa nova fase que a fama de Barbosa Filho se consolidou nacionalmente, sob o slogan de “o comentarista que veio do Norte para agradar o Brasil inteiro”. Foi nesse período, também, que Mauro Pinheiro deixou de ser plantão esportivo para se transformar no comentarista titular do Scretch do Rádio.
Barbosa Filho permaneceu na Rádio Bandeirantes até o fim de 1973, quando Milton Peruzzi o contratou, durante uma viagem a Istambul, na Turquia.

Além de autografar os comentários esportivos da Rádio Gazeta de S. Paulo, Barbosa Filho passou a ter assento na primeira mesa redonda da tevê paulistana, o MESA REDONDA É COM O ONZE.

Semanalmente levado ao ar pela TV Gazeta, Canal 11 de S. Paulo, o programa era ancorado por Milton Peruzzi e contava com as participações de Barbosa Filho, Peirão de Castro, Geraldo Blota, Dalmo Pessoa e José Italiano.

Em 1975, uma grave crise assolou os meios de comunicação pernambucanos. Como maior nome da história do rádio das regiões norte e nordeste do país, Barbosa Filho foi chamado para assumir o comando da Rádio Clube de Pernambuco.

Empunhando o microfone desse novo prefixo, Barbosa Filho viajou para as Copas do Mundo da Argentina, em 1978, da Espanha, em 1982, e do México, em 1986.

Dois anos mais tarde, depois de cobrir os Jogos Olímpicos de Seul, o experiente comentarista retornou a S. Paulo. Engajando-se no meio empresarial, Barbosa Filho firmou uma parceria com Paulo Abreu – diretor presidente da CBS – e criou a Rede Brasileira dos Esportes, que, dois anos mais tarde, em 1990, ineditamente conectaria 202 emissoras espalhadas pelo Brasil inteiro, durante a cobertura da Copa do Mundo da Itália.

Sob o comando da Super Rádio Tupi de São Paulo, então dirigida pelo famoso narrador esportivo Edemar Annuseck, que Barbosa Filho tirara da Rádio Jovem Pan, em 1989, a Rede Brasileira dos Esportes era também integrada por outras duas protagonistas: a Rádio Clube de Pernambuco, que o próprio Barbosa Filho comandava ao lado de Ralph de Carvalho, e a Rádio Tamoio do Rio de Janeiro.

Esse esquema perdurou até 1992, quando Barbosa Filho assumiu o comando de esportes da Rádio Record de S. Paulo, função que exerceria até 1998, durante a Copa do Mundo da França.

Em 2002, Barbosa Filho acertou a volta de Edemar Annuseck ao rádio paulistano, com quem conjuntamente assumiu o comando de esportes da Rádio News – AM 1150 – atual Rádio Tupi. Muito embora o novo projeto tenha registrado um superlativo índice de audiência num curto espaço de tempo, a retração do mercado publicitário, aliada a doença que então acometera Barbosa Filho, precocemente anteciparam a finalização dos trabalhos.

FAMÍLIA
aime Lopes Barbosa – Barbosa Filho – o comentarista que veio do Norte para agradar o Brasil inteiro, ou simplesmente o comentarista do povão, era casado com dona Luci Buarque Barbosa, irmã do ex-Ministro da Educação e Senador pernambucano, Cristovam Buarque de Holanda.

Barbosa deixou quatro filhos: Luciano Buarque Barbosa (tenente-coronel), Ricardo Frederico Buarque Barbosa (gerente da Construtora Camargo Correa), Jaime Lopes Barbosa Filho (comerciante em Belo Horizonte) e Christianne Buarque Barbosa (casada com o empresário alemão Stefan Stegmann).
*Edemar Annuseck Júnior é Jornalista

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