sábado, 6 de junho de 2009

Goleiro artilheiro

Goleiro fazer gol está na moda. Rogério Ceni, excelente cobrador de faltas, é o número 1 quando abordamos esse assunto. Logo depois vem o paraguaio Chilavert, outro craque em bolas paradas. De uns tempos para cá virou moda goleiro bater falta ou pênalti. Bruno, do Flamengo; Tiago, do Vasco; Butt, do Bayer Leverkusen; Clemer, do Inter, que deixou a sua marca na final contra o Juventude, e por aí vai. Uma lista interminável.
Mas pouca gente sabe realmente quem foi o primeiro goleiro brasileiro a marcar um gol. Da minha época de moleque lembro-me do meu pai falar do histórico gol marcado pelo rubro-negro Ubirajara Alcântara, eleito no programa do Chacrinha como o crioulo mais bonito do Brasil, num jogo no estádio da Ilha do Governador. Também me lembro de País, do América, que se aventurou na grande área numa cobrança de escanteio e sacodiu a rede. Zico, do Colorado, deu um bicão para a frente e gol! Numa reportagem publicada em sua edição do mês passado, a revista Placar revela um gol de Oceania, do Juventus da Mooca. A Placar lhe dá a primazia. Erradamente.
O primeiro goleiro a fazer um gol na história do futebol brasileiro foi Anderson Williams Waterman, que defendeu a meta do Fluminense entre 1906 e 1910 sagrando-se tetracampeão carioca em 1906-07-08-09. No dia 5 de julho de 1908, o Fluminense recebeu o Riachuelo, no seu campo da Rua Guanabara, pelo Campeonato Carioca. Até então o Fluminense havia feito três jogos: 10 a 1 no Paysandu, 3 a 0 no Rio Cricket e um empate em 4 a 4 com o Botafogo. O Riachuelo não ofereceu resistência e era goleado facilmente por 10 a 0, gols de Edwin Cox (3), Emile Etchegaray (3), Nestor Macedo (2), Salmond e Buchan. Quase no final do jogo, o árbitro Hugh Pullen marcou pênalti a favor do Fluminense. A turma do Riachuelo revoltou-se, discutiu asperadamente com o árbitro e decidiu abandonar o campo de jogo. Com a bola na marca fatal e a meta vazia, o goleiro Waterman foi indicado pelo Ground Comitee – na época não havia a figura do treinador e quem tomava as decisões sobre o time era um comitê formado por dirigentes e jogadores – para fazer a cobrança. Waterman fechou a contagem em 11 a 0 e o árbitro encerrou o jogo. No dia seguinte o Riachuelo abandonaria o campeonato. Mas a história encarregou-se de apagar da história os perdedores. Está nos arquivos: Waterman, o primeiro goleiro-artilheiro da história do futebol brasileiro.
Colaboração: Alexandre Magno Barreto Berwanger

Nenhum comentário: