Ailton Alves*
No princípio e até meados da década de 60 do século passado o futebol era 11 contra 11. Não era permitido fazer substituições. Quem entrasse em campo teria, a despeito do cansaço ou de dores diversas, que permanecer no gramado até que o árbitro apitasse o final do jogo, exatamente no 90º minuto. Essa era a essência do esporte, recuperada neste domingo pelo Tupi Futebol Clube, que sustentou seus onze guerreiros em campo até aos 42 minutos e 42 segundos do segundo tempo, quando um deles (Rodrigo Mucarbel) – e apenas um deles - foi substituído.
Nos primórdios, o futebol não tinha táticas e os jogadores, à exceção do goleiro, não exerciam posições determinadas. Os objetivos eram basicamente dois: defender dos ataques dos adversários e tentar, na outra ponta do campo, colocar a bola num retângulo definido de forma bastante aleatória. E foi exatamente esse espírito que norteou o Tupi neste domingo, contra o poderoso Cruzeiro, no Mineirão.
O Tupi voltou no tempo. E foi bastante sintomático que naquele estádio (onde um dia o Galo foi um fantasma – coincidentemente na época em que começou a ser possível fazer as tais substituições) o técnico tenha decidido manter os 11 jogadores até o final da partida. Eles não estavam cansados e – parecia - nem tinham a noção do tempo. Como disse, certa vez, Mário Quintana: "Nem olhavam o relógio, seguiram sempre e em frente, jogaram pelo caminho a casca dourada e inútil das horas".
E o Tupi destruiu os conceitos modernos, jogou como se jogava antigamente, sem posições fixas. Quatro volantes? Um atacante que aparecia como meio-campista, ou até zagueiro? Não é difícil encontrar, nos primórdios ou não, analistas de futebol, sérios e respeitáveis, que defendem abertamente que não existe esse negócio de 4.4.2, 5.3.2, 4.3.3. “É tudo bobagem”, dizem. Como discordar depois de ver o Galo jogar neste domingo?
*Ailton Alves é Jornalista, Escritor, Cronista Esportivo e detentor do Prêmio ESSO de Jornalismo. É autor dos seguintes livros:
- "Meus Sonhos são bastante razoáveis" (2003),
- "A Saga dos Carijós" (2004),
- "Cidadão do mundo" (2006).
Fonte: www.acessa.com
sexta-feira, 13 de março de 2009
Como nos primórdios
Ailton Alves*
No princípio e até meados da década de 60 do século passado o futebol era 11 contra 11. Não era permitido fazer substituições. Quem entrasse em campo teria, a despeito do cansaço ou de dores diversas, que permanecer no gramado até que o árbitro apitasse o final do jogo, exatamente no 90º minuto. Essa era a essência do esporte, recuperada neste domingo pelo Tupi Futebol Clube, que sustentou seus onze guerreiros em campo até aos 42 minutos e 42 segundos do segundo tempo, quando um deles (Rodrigo Mucarbel) – e apenas um deles - foi substituído.
Nos primórdios, o futebol não tinha táticas e os jogadores, à exceção do goleiro, não exerciam posições determinadas. Os objetivos eram basicamente dois: defender dos ataques dos adversários e tentar, na outra ponta do campo, colocar a bola num retângulo definido de forma bastante aleatória. E foi exatamente esse espírito que norteou o Tupi neste domingo, contra o poderoso Cruzeiro, no Mineirão.
O Tupi voltou no tempo. E foi bastante sintomático que naquele estádio (onde um dia o Galo foi um fantasma – coincidentemente na época em que começou a ser possível fazer as tais substituições) o técnico tenha decidido manter os 11 jogadores até o final da partida. Eles não estavam cansados e – parecia - nem tinham a noção do tempo. Como disse, certa vez, Mário Quintana: "Nem olhavam o relógio, seguiram sempre e em frente, jogaram pelo caminho a casca dourada e inútil das horas".
E o Tupi destruiu os conceitos modernos, jogou como se jogava antigamente, sem posições fixas. Quatro volantes? Um atacante que aparecia como meio-campista, ou até zagueiro? Não é difícil encontrar, nos primórdios ou não, analistas de futebol, sérios e respeitáveis, que defendem abertamente que não existe esse negócio de 4.4.2, 5.3.2, 4.3.3. “É tudo bobagem”, dizem. Como discordar depois de ver o Galo jogar neste domingo?
*Ailton Alves é Jornalista, Escritor, Cronista Esportivo e detentor do Prêmio ESSO de Jornalismo. É autor dos seguintes livros:
- "Meus Sonhos são bastante razoáveis" (2003),
- "A Saga dos Carijós" (2004),
- "Cidadão do mundo" (2006).
Fonte: www.acessa.com
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2 comentários:
Gostaria de saber o preço e forma de envio, do livro, "Saga dos Carijós".
Eurico Moura
Maringa PR
euricomoura@terra.com.br
Uberaba, faz um favor pra mim, DETONA esse time sem vergonha do tupi. Fajardo, conclua. Nos tire da sequencia do mineiro, por favor!
Chega de tanta incopetencia e falta de vergonha na cara.
Esse time não merece continuar e assim não ouço mais esse tecnico cansativo. Quando pega um microfone não larga... que cara chato sô!
IMPRESSIONANTE, MAS PARECE QUE A FALTA DE BRIO E VERGONHA EM RELAÇÃO AS COISAS DE JF, JA FAZEM PARTE DO PERFIL DA CIDADE.
É MUITA MEDIOCRIDADE JUNTO.
Eurico Moura
Maringá PR
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