segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Ponte Nova-MG

Em 1755, chegou á região Miguel Antônio do Monte Medeiros, com uma carta de sesmaria, datada de 27/02/1755, fundando, no ano seguinte, a fazenda da Vargem Alegre. Já em agosto de 1756, chega seu irmão, Sebastião do Monte Medeiros da Costa Camargo e funda a fazenda do Córrego das Almas, tendo assumido o comando das ordenações do Distrito de Ponte Nova. Em 1763, chega João do Monte Medeiros, recentemente ordenado padre, instalando a fazenda do Vau-Açu, dotando-a de uma "casa-sede", uma senzala, um depósito e um curral de porcos. Ainda hoje persiste a construção, conhecida como sede da Usina Santa Helena. Junto com esses pioneiros, vieram vários outros sesmeiros, que foram expandindo o desenvolvimento regional. A agricultura e o comércio constituíram por muitos anos as principais ocupações dos habitantes. Em 1860 foi introduzido no município o primeiro engenho de açúcar, com moenda horizontal de ferro. Em 1886 inaugurou-se a Usina Anna Florência, que veio a consolidar, juntamente com outras usinas, uma fase de expressivo desenvolvimento agro-industrial, baseado na cultura da cana e sua transformação em açúcar e álcool. Com o declínio destas atividades, a partir dos anos 70, permaneceu apenas a Usina Jatiboca, no município de Urucânia, emancipado de Ponte Nova.Com o padre João do Monte, vieram sua mãe, D. Maria da Costa Camargo, e sua irmã, Catharina do Monte, que formaram as fazendas Santa Rita e Mata-Cães, respectivamente. Com a morte da matriarca dos Monte Medeiros, na década de 60 daquele século, sua fazenda passa a seus filhos, por herança. Em seguida, o padre João solicita ao bispado de Mariana autorização para construir uma capela, que foi conferida em 1º de julho de 1770. Depois de seis meses, a capela é erguida no local onde hoje se encontra a Matriz de São Sebastião, antes denominada capela de São Sebastião e Almas de Ponte Nova. Com esse fato, nosso então arraial adquiriu personalidade canônica, que determinou, jurídica e administrativamente, a situação do lugar. Um documento antigo relata: "O padre, não se limitando em erigir e paramentar o templo, dota-o também de um cemitério e doa à Igreja uma porção de terra, desmembrada de sua fazenda, em 15/12/1770, atitude que permitiu o surgimento de Ponte Nova, dentro dos padrões da época, inserida no contexto da província. Este dia deveria ser, portanto, a data correta da fundação de Ponte Nova e deveria ser comemorado como tal, reverenciando a memória daquele que, com seu desprendimento e idealismo, a fundou". Sobre o fundador de Ponte Nova, pode-se dizer que era homem austero, de gênio forte e indômito. Sabe-se que suas respostas eram cheias de dignidade e de respeito, mas francas, argüindo personalidade feita e caráter de boa têmpora. Ele nasceu no dia 08/08/1730, em São Caetano de Mariana, sendo o quarto filho do alferes João do Monte Medeiros e de D. Maria da Costa Camargo. Há notícias de que o padre João administrava suas terras com muita fibra e energia e que dava exemplo aos seus escravos de como deveriam trabalhar, a ponto de pegar literalmente "na enxada". Não se sabe ao certo quando faleceu e nem onde repousam seus restos mortais, se sob o altar da capela de Ponte Nova - aquela mesma que ele construiu ou em um pequeno cemitério de uma das fazendas da família, provavelmente a do Córrego das Almas. Com o declínio irreversível da produção do ouro, por volta dos anos 1741 a 1761, muitos mineiros passaram a procurar outras atividades de subsistência. A mão-de-obra foi, cada vez mais, sendo absorvida com o extrativismo do diamante, com a lavoura e com a criação de gado. Desse modo, foram sendo instaladas fazendas em número crescente e, já em 1785, o plantio de cana se tornou comum entre os fazendeiros da região. Inicialmente fabricava-se o açúcar mascavo, o açúcar-de-forma e aguardente, por meio de pequenos engenhos verticais, muito rudimentares e movidos por rodas d'água. Remonta a esse período o início das atividades de plantio de cereais e de pecuária. É dessa época o início da construção de um pequeno núcleo habitacional sendo formado ao redor da capela "primeva", com moradias de maior porte e de arquitetura um pouco mais trabalhada. No novo povoado, dois segmentos distintos possuíam moradia: os proprietários de terras e os prestadores de serviços (comerciantes, alfaiates, carpinteiros etc.). Provavelmente, uma das primeiras ruas a ser delineada foi a atual avenida Caetano Marinho. Ainda nesta fase, nota-se a presença constante de índios - os botocudos, que eram uma ameaça às fazendas contra as quais produziam ataques sistemáticos. Os puris eram mais pacíficos e já aceitavam se agregar às fazendas, mantendo diversas aldeias nas proximidades, entre elas uma no alto do morro do Pau d’Alho, onde hoje se encontra o Colégio Salesiano Dom Helvécio.
A partir de 1781, depois que assumiu o Governo da Província de Minas Gerais Dom Rodrigo José de Menezes, os caminhos e estradas para nossa região foram sendo melhorados e foi construída uma ponte sobre o Piranga, em substituição à anterior, uma das primitivas pontes. A construção da nova ponte, bem mais ampla, segura e "de bom alvitre", aumentou em muito o fluxo de viajantes por toda a área, com o incremento das relações comerciais em diversos sentidos. Há registro de que os primeiros povoadores de Ponte Nova "de que se tem notícia certa", foram os Monte, os Lanna-Marinho, os Toledo, os Toledo-Pisa, os Godói e os Romeiro. Depois, no decorrer dos anos, muitas outras famílias foram se transferindo para cá, contribuindo com a definitiva formação do lugar, mercê de sua intensa participação no crescimento e progresso da região. Como visto, fica plausível o caráter eminentemente agro-pastoril que caracteriza os fundadores dessas plagas - todas as famílias que ajudaram a escrever as primeiras páginas da história da cidade, história essa que se confunde com a história da FAZENDA. Vale a pena recordar o nome de fazendas antológicas como as do Pontal, Xopotó, do Engenho, da Paciência, Quebra-Canoas, dos Quartéis (região atual de Amparo do Serra), entre outras. As grandes fazendas se estabeleceram e com elas veio o "grande ciclo da cana, e do café, em menor proporção", e demonstraram a vocação agrícola de Ponte Nova e região. Eram produtos com cotações que subiam cada vez mais no mercado de produção. Dos oriundos da cana, o açúcar era o que liderava as expectativas, garantindo o comércio externo e bons preços em Mariana e Ouro Preto. Isso na segunda década de século XIX. Ficou dito que o nosso açúcar chegava a mercados distantes, como, na época, o de Barbacena. A produção de aguardente, então, era quase toda consumida na região, muito apreciada pelos trabalhadores braçais e o excedente da produção do arraial era comercializado em Barra Longa, Furquim, Mariana e Ouro Preto, principalmente, transportado por tropas de burros. Atualmente, Ponte Nova busca novos caminhos de desenvolvimento. A suinocultura, muito desenvolvida na região e uma das mais tecnificadas do país, deu origem ao Frigorífico Industrial Vale do Piranga (Frivap), que está sendo implantado no município por um grupo de suinocultores, com apoio do Estado, da Câmara e da Prefeitura. O comércio atacadista de armarinhos é outro segmento importante para a geração de emprego e renda, distribuindo produtos em todos o país, em cerca de 6.500 localidades e com mais de 80 mil clientes cadastrados. No setor de serviços destaca-se a saúde, com vultosos investimentos em modernização tecnológica pelos hospitais particulares, que mantêm planos se saúde em ampla rede nacional, implantação da gestão plena pelo SUS e do Hemominas regional, além da existência de Consórcio Intermunicipal de Saúde com sede em Ponte Nova. O município sedia também a Região Administrativa do Vale do Piranga e a Associação dos Municípios do Vale do Piranga (AMAPI).

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