segunda-feira, 14 de abril de 2008

OPERAÇÃO PASÁRGADA

Exclusivo.

Negociações garantiam acordos que favoreciam até empreendimentos pessoais dos acusados

Documento revela vantagens obtidas por prefeitos de MG

Bejani recorreu ao lobista para liberar obra de hotel em Angra dos Reis-RJ

EZEQUIEL FAGUNDES E RICARDO CORRÊA

Em liberdade graças a uma decisão judicial, os prefeitos presos pela operação Pasárgada são suspeitos de uma série de delitos praticados para obter benefícios negociados com a quadrilha que comandava o esquema. É o que revelam os documentos sigilosos aos quais O TEMPO teve acesso, e que fazem parte da conclusão do inquérito que pediu a prisão dos acusados.

O relatório da PF mostra que o prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani (PTB), mantinha contatos com a quadrilha. Segundo a PF, "sob o mandato de Bejani", a Prefeitura "impetrou uma ação na Justiça Federal, através da celebração de um contrato de risco com a empresa TCQ Consultoria Empresarial (de Fabrício Alves Quirino, braço direito do lobista Paulo de Sá Cruz), através de inexigibilidade de licitação sem preenchimento dos requisitos legais para tanto, além de pagar quantias exorbitantes sobre os valores retidos recuperados caso ganhasse a causa. A PF ressalta ainda que o processo "teve uma movimentação extraordinariamente célere", que teria sido "motivada pelo pagamento de propina a funcionários públicos com desvio de recursos públicos".Bejani também teria utilizado o esquema para garantir uma decisão favorável aos seus negócios em Angra dos Reis, no litoral fluminense. Conta o documento que, "Bejani seria ligado à rede de hotéis "Privilége" e teria contatado Paulo Cruz, a fim de obter ajuda, através dos braços que a organização tem dentro do judiciário, de forma a poder interferir numa decisão judicial (da Justiça Federal) que embargou uma obra da empresa supracitada numa ilha localizada no litoral do Rio de Janeiro. Paulo teria dito a Bejani que poderá resolver a coisa através de um contato local que poderia ajudá-los." Propina

Dinheiro dividido em Lafaiete Outro que é citado pelo relatório da PF é o prefeito de Conselheiro Lafaiete, Júlio César de Almeida (PT). Diz a PF que ele “teria contratado o escritório PCM Consultoria, que teria cobrado como contrapartida pelos serviços prestados o valor de R$ 200 mil, frente a liberação de R$ 700 mil retidos pelo INSS”.Os documentos revelam a distribuição do montante: “R$ 100 mil para Paulo Cruz, R$ 20 mil para a advogada Flávia Soares, R$ 30 mil para o procurador de Conselheiro Lafaiete, Wellington Alves, R$ 30 mil para o próprio Júlio César e os R$ 20 mil restantes seriam destinados à próxima campanha eleitoral”.A PF cita ainda uma uma ação de desbloqueio de valores do FPM para Divinópolis, “sem que o prefeito Demétrius Arantes (PSC) houvesse formalizado o contrato, e este seria futuramente forjado por inexigibilidade de licitação, a fim de dar uma aparência de legalidade à avença”, em benefício da PCM.

Fonte: http://www.otempo.com.br/

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