Laerte Braga*
Não há donos da prisão de Bejani. E mais importante que a sucessão municipal (que é importante), neste momento a tarefa é impedir o retorno do prefeito, apurar todas as irregularidades denunciadas sistematicamente por um conjunto de forças e pessoas desde o primeiro mandato Bejani e evitar que a cidade continue sofrendo o processo de desmanche que vinha sofrendo.
Tentar transformar a prisão do prefeito em propriedade exclusiva e responsabilizar eventuais concorrentes por erros e equívocos (não importa que tenham sido cometidos, foram sim) em alavanca de campanhas eleitorais é “bejanizar” o processo eleitoral, enxergar miúdo e estreito é trabalhar contra a cidade em projetos políticos pessoais que não dizem respeito aos reais interesses de Juiz de Fora. Mesmo porque existe aquela história antiga do macaco que criticava os rabos dos bichos da floresta até que alguém que mandou que ele olhasse o próprio rabo.
Não se trata de afastar Bejani do governo e resolver o problema sistematicamente com crises de “eu avisei”, “eu luto”, “eu faço”, “eu sou corajoso”, como se a luta fosse propriedade exclusiva de alguém.
Ou uma luta dessa proporção visando o resgate da história da cidade, seu reencontro com a dignidade de seu povo, ultrajada por um aventureiro, se esvai numa dimensão menor e se perde num contexto pequeno e pobre de meros interesses eleitorais.
Esse negócio de Superman só existe em história em quadrinhos e ainda assim para vender uma ideologia.
Há um filme simples, sem maiores pretensões, que conta uma história sobre um sósia de Napoleão Bonaparte que vai substituir o imperador na ilha onde se acha confinado enquanto Napoleão volta à França de maneira clandestina e com outra identidade para tentar retomar o poder.
Bonaparte vai morar numa pensão apaixona-se pela proprietária e com isso contraria um médico que até então namorava a moça. Lá pelas tentas quando o médico percebe que aquele hóspede é de fato Napoleão leva-o a um hospital de doentes mentais onde mostra um sem número de internos se achando e se intitulando Napoleão.
O imperador toma um choque. O médico sem referir-se a ele como o Bonaparte, mas deixando claro que sabe e acredita, diz de maneira simples que foram muitos os males que causou à França, independente dos benefícios e que devia deixar a história seguir seu curso.
Napoleão deixa. Volta para a moça e vai viver a vida normal de um cidadão comum.
As cidades, os países estão cheios de “napoleões” que não entendem e nem compreendem essa história aparentemente boba, simples, mas perfeita no seu sentido.
Ninguém tirou Bejani da Prefeitura, pelo menos momentaneamente e se espera para sempre. Bejani é o principal responsável pelos atos criminosos que praticou e as forças da cidade que se indignaram são as alavancas reais da reação. Não há donos nessa situação.
Até para não cairmos na mesma armadilha e seguirmos por caminhos que não serão muito diferentes.
*Laerte Braga é Jornalista
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