Opinião
Paulo Renato Pinto Porto*
O epílogo dessa tragédia que levou Campos de forma deplorável às manchetes nacionais encerra lições. Uma delas, a de que a desgraça pode ser didática e nem sempre é destituída de valores positivos. Que às vezes é chegar ao fundo do poço da degradação moral para o caminho da reconstrução. Aprende-se com o infortúnio e a desdita. Chegará o dia que evoluiremos a ponto de qualificarmos a corrupção como crime hediondo. É tarefa de toda a sociedade, sendo imperativo que haja campanhas que aponte o corrupto como um ser repugnante pelo rádio, televisão e jornais, apontando o dedo para a corrupção como algo muito feio e sórdido. Assim se formariam as novas gerações, porque a atual tem sido vítima de uma lavagem cerebral, por parte dos meios de comunicação, particularmente as novelas, que todos os dias banalizam os valores morais com histórias de traição no trabalho e no casamento, disputa de poder, cenas de sexo apelativo, ostentação, roubo e violência. Vivemos numa sociedade capitalista, onde a filosofia do consumismo a todo instante nos estimula, pelos meios de comunicação, à aquisição de bens materiais. Os estereótipos apresentados não são músicos ou escritores geniais, mas os chamados "famosos", modelos ostentando bens luxuosos, a beleza física e o sucesso a qualquer preço. A cultura do ter, ao invés do ser; a obsessão pelo dinheiro fácil leva pessoas se deixarem seduzir pelo brilho e o luxo dos bens de consumo, fazendo daquilo um objetivo de vida e um referencial. Não concordo com essa idéia de que o povo brasileiro é chegado a espertezas e expedientes inescrupulosos para se dar bem na vida. A grande maioria trabalha honestamente e ganha muito mal. O povo de Campos é bom, com as exceções de sempre. Não lamento pelos que foram presos e algemados, mas pelas famílias, onde sempre haverá alguém que terá pudor em saber que um parente foi pego em flagrante por ter roubado o dinheiro público. O mesmo que serviria para aliviar o drama da população que bate às portas do SUS; que seria destinado à compra de remédios para idosos que buscam socorro nas filas de hospitais. Hospitais cujas condições de atendimento são péssimas, devido à falta de repasse de verbas. A mesma fábula que ingressa nos cofres da prefeitura que deveriam cuidar da infra-estrutura da cidade, onde milhares de pessoas vivem em péssimas condições. Onde as escolas e creches estão em situação de absoluta precariedade. Em suma, o tempo é de reconstruir o estrago para que Campos vire de vez essa página deplorável de sua história.
Paulo Renato Pinto Porto* é Jornalista
Fonte:
http://www.odiarionf.com.br/
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