segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Arrancada histórica

•Fred, Conca, Gum, Cuca e a torcida do Tricolor, que nunca abandonou o time: autores de uma bela história de sobrevida Renato Salles (renato.salles@jfhoje.com.br) A situação parecia irremediável. No Brasileirão, o Fluminense era paciente terminal. Condenado. À beira da cama, a frieza. Matemáticos, sacerdotes da Ciência, como Tristão Garcia, prontos para ministrar a extrema unção. Mas, o coração pulsava nas arquibancadas do Maracanã. A torcida era a família que apoiava. Que dosava o remédio. Era preciso cuidar da saúde. Um bom plano. A medicação, porém, tardou a chegar. A receita data de 1° de setembro. Cuca substituiu Renato Gaúcho no comando técnico e estreou com um empate, contra o Náutico: 1 a 1. Depois, novo empate, agora, com o Botafogo. Em seguida, a estrondosa goleada sofrida para o Grêmio, por 5 a 1, expôs a situação do Flu. O velho coração tricolor, tantas vezes campeão, estava cansado. O suspiro veio em forma de vitória contra o Avaí, 3 a 2. Veio o Fla-Flu. A dor. Revés por 2 a 0, arrancada do maior rival rumo ao Hexa e a lanterna queimando as mãos. O Flu arquejava moribundo na igualdade de 1 a 1 com o Corinthians. Desenganado, só a família acreditava, mesmo acuada com as dores causadas pelo sofrimento do ente querido. Um santo apareceu. O Santo André recebeu o Fluminense na volta de Fred. Vitória carioca com gol do atacante. No rosto, sorriso. No corpo, vontade de deixar o leito. Escapar do rebaixamento. Não apenas Fred tinha voltado. Com os gols do atacante, retornaram também as vitórias. Findaram as derrotas. O vistoso futebol de Conca ganhou mais brilho. Gum foi de vilão a herói. Cuca, de besta a bestial. Após dois empates contra Inter e Goiás, o Tricolor conjugou apenas um verbo: vencer. Atlético-MG, Cruzeiro, Palmeiras, Atlético-PR, Sport e Vitória. Todos foram vítimas fatais da arrancada verde, grená e branca. O Flu chegou à rodada final caminhando com os próprios pés. Escoriações ainda eram visíveis, porém, dependia apenas de si para permanecer na elite. De si, de Cuca, de Conca, de Fred, de sua apaixonada torcida. E conseguiu. Com um empate, onde a truculência humana, travestida em ira pelo descenso do Coxa, ofuscou o brilho da grande recuperação de um time. De uma vida. De um Fluminense, velho de guerra, vivo e pronto para uma nova batalha. Afinal, como disse o genial e genioso Nélson Rodrigues: “O Fluminense nasceu com a vocação da eternidade”. Fonte: www.jfhoje.com.br

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